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Wednesday, March 6, 2013

A despedida do Lameirão da Formula Ford

 

Chico Lameirão tinha um histórico na Fórmula Ford. Fora um dos destaques brasileiros no Torneio BUA de Fórmula Ford de 1970, que o levou a tentar a sorte na Europa, onde correu na categoria na Inglaterra e em Portugal. Não foi foi muito bem sucedido por uma série de fatores, e resolveu voltar ao Brasil.

A Fórmula Ford foi criada no Brasil, e o seu primeiro campeonato realizado em 1971. O regulamento não era o internacional, pois os motores usados eram o do Ford Corcel. Lameirão naquele ano fazia parte da Equipe Hollywood, e foi o maior expoente da categoria naquele ano, ganhando quatro provas (três do Nacional e e uma do gaucho de Formula Ford) além do campeonato.

Em 1972 saiu da Hollywood e foi para a Bino Motoradio. Marcou a pole na primeira corrida, só que, infelizmente as coisas não foram tão bem como no ano anterior. Testou o chassis Heve durante o ano, mas acabou a temporada com o Bino.

Chico continuou na categoria em 1973, tendo como companheiro de equipe Angi Munhoz. Venceu a corrida de Curitiba, mas ainda assim ficou longe de Alex Dias Ribeiro e Clovis Moraes.

O campeonato de 1974 foi o pior da Fórmula Ford até então. O regulamento fora mudado, o preparo dos carros liberado. Se por um lado aumentou a performance, os custos também subiram estratosfericamente. Mas Lameirão lá estava, uma última vez, só que agora equipado com um Polar. Chico foi segundo na primeira fraca prova do ano, realizada em Interlagos. Durante o resto da temporada teve muito azar, com abandonos e nada pode fazer contra Clovis de Moraes, cujo motor tinha quase 140 HP. Para piorar as coisas, os outros pilotos da Hollywood, Claudio Muller, Enio Sandler e Jose Moraes, também iam bem.

Na última corrida do ano, Clovis de Moraes já tinha assegurado seu segundo campeonato. Restava a briga pelo segundo lugar. A prova foi realizada em Goiânia, e, devido ao cancelamento da corrida de Brasília, a pontuação seria dupla. Com isso ainda existia a chance de Lameirão ser vice, pois Enio Sandler não correria.

Chico foi um dos grandes nomes da corrida, que acabou sendo a sua última na FF. Na primeira bateria, batalhou bastante com Francisco Feoli, levando o público ao delírio. O paulista terminou a bateria em segundo, atrás de Clovis, que mais uma vez dominava. Na segunda bateria, Feoli ainda conseguiu sair na frente, ao passo que Lameirão se atrasou na largada. O paulista eventualmente se recuperou, e conseguiu a perseguir aqueles que estavam à sua frente. Desta feita seu rival foi Claudio Mueller, que também era seu concorrente direto para o vice. Claudio e Chico batalharam muito, e mais uma vez Lameirão levou a melhor, terminando a bateria e a corrida em segundo.

Infelizmente, não foi o suficiente para obter o vice, mesmo com pontuação dobrada. Mueller chegou em terceiro na prova, marcando 20 pontos no campeonato, e Lameirão só fez 19. Entretanto, foi de longe o melhor piloto não-Hollywood.

Em 1975 Lameirão não voltou à categoria, dedicando-se somente à Fórmula Super-Vê, na qual foi campeão.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami 

Monday, February 11, 2013

O DEBUT DA FORMULA FORD BRASIL



Colaboração: Ricardo Cunha
Em outro artigo discuto as origens da Fórmula Ford no Brasil, que remontam aos meados dos anos 60, antes mesmo de a Fórmula Ford existir na Europa! Após uma hesitação inicial, a Ford finalmente resolvera apoiar a categoria no Brasil, que seria disputada em grande parte com carros locais. Muitos dos carros trazidos para participar do Torneio BUA de Formula Ford, em 1970 ficaram por aqui, como alguns Merlyn, um Titan, um Lotus e um Macon. Mas foi tomada a decisão, a meu ver certa, de usar carros feitos em Brasil por Luis Antonio Greco. Estes, chamados Bino em homenagem ao piloto Christian Heins, que morreu em Le Mans em 1963, correram durante muitos anos na categoria, e sem dúvida eram resistentes.

Baseados no Merlyn inglês, Greco construiu 25 monopostos, muitos dos quais foram adquiridos por pilotos gaúchos, com apoio do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul. Havia uma renovada euforia com o automobilismo no Rio Grande do Sul, com a inauguração do autódromo de Tarumã, em 1970. O automobilismo sulino foi muito ativo desde os anos 30, mas a modalidade de corridas praticada no sul era bem diferente da do eixo Rio-São Paulo. Baseando-se no modelo argentino, os gaúchos eram doidos por corridas em estradas de terras, disputadas com carreteras com motores americanos de alta cilindrada. Raras eram as provas em circuitos fechados, em cidades.

Em meados dos anos 60 as estradas passaram a ser cada vez mais indispensáveis, para uma frota crescente, e a inconveniência (sem contar o perigo) das corridas em vias públicas crescia. Para não morrer o automobilismo gaúcho, foi necessário terminar o autódromo próximo de Porto Alegre, prometido desde meados da década de 60, e mudar a face do automobilismo gaúcho.

Com o autódromo veio a necessidade de modernizar a frota competitiva do Sul. As carreteras já haviam sido aposentadas, e o esporte local estava sendo basicamente praticado com carros de turismo modificados, e algum ou outro carro esporte. Curiosamente, o Ford Corcel foi um carro adotado pelos automobilistas gaúchos (e preterido no resto do país), portanto não é de todo surpreendente que os gaúchos tenham se entusiasmado tanto com uma categoria de monopostos com o motor do carrinho que gostavam. E o Automovel Clube do estado ajudou a financiar a festa para a gauchada!

A primeira corrida da categoria foi uma prova do campeonato gaúcho de Fórmula Ford, aberta para pilotos de outros estados. Poucos eram os não gaúchos nesta primeira corrida realizada m 29 de agosto: Chiquinho Lameirão, com o carro da Equipe Hollywood, Pedro Victor de Lamare, os dois de São Paulo, e Alex Dias Ribeiro de Brasília. O resto, só gaúchos. Entre os sulinos, correria o veterano Breno Fornari, vencedor de diversas edições das Mil Milhas, e que naquelas épocas corria com um protótipo Regente. O jovem Leonel Freidrich era o único a correr com um não Bino, um Titan que ficou após o torneio BUA. O kartista Clóvis de Moraes também estava presente nesta primeira prova, assim como o popular radialista Pedro Carneiro Pereira, e alguns outros pilotos que viriam a ter um bom grau de sucesso na categoria, como Cláudio Mueller, Francisco Feoli, Jose Luis de Marchi e Enio Sandler. Outros gaúchos presentes, que teriam sucesso em outras categorias, eram Fernando Esbroglio, César Pegoraro e Rafaelle Rosito.

Ao todo largaram 23 carros. Foram realizadas duas eliminatórias, com 11 e 12 carros, e uma final de 15 voltas, com todos os carros. Para vergonha dos gaúchos, ganhou Francisco Lameirão, um dos poucos não gaúchos na pista, embora Chiquinho já fosse a esta altura um veterano de alto prestígio no automobilismo nacional. De fato, Chiquinho e Rafaelle Rosito haviam disputado a temporada inglesa de 1970, compartilhando um carro, sem grande sucesso sucesso e de certo sem dinheiro, voltando para o automobilismo brasileiro.

Em 12 de setembro se realizaria a primeira etapa do campeonato brasileiro, chamado de Campeonato Brasileiro de Velocidade. É importante frisar que a Fórmula Ford era a única categoria nacional deste ano que seria disputada com provas de curta duração. A tendência de mudar as provas de campeonato brasileiro para sprints começara com a Fórmula Vê. Até então, campeonato brasileiro implicava provas de longa distância e as provas curtas eram domínio dos campeonatos regionais. Com a Fórmula Vê introduziu-se a tendência de provas em baterias, na configuração duas baterias com soma de tempo, duas baterias com final ou três baterias com soma de tempo. Entre outras coisas, os pequenos monopostos não comportavam grandes tanques de gasolina, e a tendência moderna era a adoção de provas em baterias, que possibilitavam melhor espetáculo para o público. Afinal de contas, os pilotos não tinham que se preocupar tanto em conservar seus carros, pois tinham tempo para corrigir pequenos defeitos ou até mesmo avarias de batidas entre as baterias.

A primeira etapa da história do campeonato brasileiro de Fórmula Ford ocorreu em Tarumã. Compareceram 29 carros, com 14 disputando uma bateria, 15 a outra, com 27 carros largando na final (dois quebraram irremediavelmente). Entre as novidades de Tarumã encontravam-se o campeão brasileiro de 1969, o paulista Marivaldo Fernandes, correndo com um Lotus, e os cariocas Milton Amaral, correndo com um Merlyn, e Norman Casari, também de Merlyn. Os três pilotos não só haviam participado do Torneio BUA de 1970, como também eram expoentes da defunta Fórmula Vê. O paulista Sergio Mattos e o brasiliense Olavo Pires também estavam presentes.

Novamente Lameirão pôs água fria na festa dos gaúchos, que apesar da superioridade numérica, tiveram de se contentar com o segundo lugar de Cláudio Muller, além do 4o., 5o. e 6o. lugares. A Hollywood, já desde o princípio do campeonato se configurava forte concorrente, e tinha em Lameirão uma arma letal. A equipe paulista, muito bem preparada e administrada por Anísio Campos, já tinha em pouco tempo atingido um nível de profissionalismo nunca dantes testemunhado no Brasil, nem na época das equipes de fábrica, freqüentemente administradas na base do improviso. Na corrida, infelizmente os dois gaúchos que mais prometiam, Clovis de Moraes e Leonel Friedrich, não participaram da final, Clóvis com o motor fundido, Friedrich por causa de um acidente no seu Titan. Em terceiro, chegara Pedro Victor de Lamare, que tivera alguma experiência com os Fórmula Vê.

A FF brasileira visitou Interlagos pela primeira vez em 31 de outubro, na segunda etapa do campeonato brasileiro. Entre os pilotos, as novidades eram Luis Carlos Moraes e Newton Pereira, de Bino, e Ricardo Di Loreto com um Merlyn. Moraes(não era parente de Clóvis) fez bonito na corrida, composta de duas baterias com soma de tempo, chegando em 5°. Lameirão, vencedor das duas corridas até então, acidentou-se na primeira bateria, e não teve chances na classificação final. Os gaúchos compareceram em peso, e chegaram em 2o., 3o. e 6o. Cláudio Muller foi 2o. mais uma vez, e Clóvis de Moraes finalmente terminou uma prova, em terceiro. Em 6o. Enio Sandler. O vencedor foi mais uma vez um paulista, desta feita Pedro Victor de Lamare, e o quarto lugar ocupado por Marivaldo Fernandes, com o Lotus.

A terceira etapa foi disputada em Interlagos 8 dias depois, em 7 de novembro, com os mesmos protagonistas. A prova novamente foi realizada em duas baterias de 7 voltas, com o resultado final dado pela soma de tempos. Lameirão superou o azar da etapa anterior, e ganhou pela segunda vez no certame nacional, desta feita, chegando na frente de Clovis de Moraes, Pedro Victor e Marivaldo. Norman Casari chegou em 6o. com um Merlyn, em parte porque Alex Dias Ribeiro, que chegara em 5o. recebeu uma punição de 30 segundos, por ter sido empurrado na largada da segunda bateria. Embora o gaúcho Clovis pouco a pouco se configurasse o maior concorrente de Lameirão e da Hollywood, era Pedro Victor de Lamare quem tinha mais chances de bater Chiquinho no campeonato: Lameirão tinha 18 pontos, e Pedro, 17.

A final ocorreria 14 dias depois, novamente em Tarumã. A corrida teve duas baterias de 20 voltas cada, com a soma dos tempos determinando o vencedor. Lameirão acabou vencendo a sua terceira corrida no campeonato (e quarta na categoria), chegando na frente dos dois gaúchos Clóvis e Mueller. Apesar do esforço, Pedro Victor acabou vice-campeão, após obter o 4o. lugar na prova. Em 5o. Leonel Friedrich agora pilotando um Bino, e em 6o. Pedro Carneiro Pereira. Não houve mudanças no “circo” da F-Ford nesta prova. Ao contrário de outras categorias, nas quais havia grande variação de lista de inscritos de prova para prova, a F-Ford teve uma lista razoavelmente estável pelo menos no primeiro ano.

O saldo do primeiro ano da F-Ford fora positivo. Os monopostos obviamente não eram muito rápidos, certamente mais vagarosos do que os FF europeus, pois eram equipados com o motor do Ford Corcel, com preparação limitada, mas ainda assim ofereciam bom espetáculo. Apesar do aparente domínio de Lameirão e da Hollywood, o campeonato foi razoavelmente equilibrado. Os gaúchos tinham superioridade numérica, mas os paulistas se saíram melhor: 1°, 2° e 5° colocados no campeonato (Chiquinho, De Lamare e Marivaldo) . Os carros estrangeiros não conseguiram bater o Bino durante o ano, e a melhor posição de um bólido estrangeiro foi 4°lugar, obtidos pelo Lotus de Marivaldo, na segunda e terceira etapas. O nível de pilotagem foi bom, com um bom mix de pilotos veteranos e novatos. Curiosamente, Alex Dias Ribeiro não marcou nenhum ponto no seu campeonato de estréia em monopostos. Fora dado o passo inicial e a Formula Ford iniciaria a mais longa caminhada de uma categoria de monopostos no Brasil, desfrutando até 1974 o status de principal categoria de monopostos no País, e continuando durante mais 25 anos ininterruptos
Resultado final do Campeonato Brasileiro de Velocidade de 1971

Campeão: Francisco Lameirão (SP), 27 pts.
Vice. Pedro Victor de Lamare (SP), 20
3. Clóvis de Moraes (RS) e Cláudio Mueller (RS) - 16
5. Marivaldo Fernandes (SP)- 6
6. César Pegoraro (RS) - 5
7. Luis Carlos Moraes (PI), Leonel Friedrich (RS), Jose Luis de Marchi (RS), Pedro Carneiro Pereira (RS) e João Luis Palmeiro (RS) - 2
12. Enio Sandler (RS) e Norman Casari (RJ) - 1

Fase Inicial da Formula Ford, 1971-1975


O sucesso inicial de Emerson Fittipaldi se deu na Formula-Ford, categoria que havia sido criada em 1967, na Inglaterra, como categoria barata, de base, para pilotos que tencionavam seguir a trilha F3-F2-F1. Foi nesses carrinhos que se deu o primeiro sucesso brasileiro na Europa desde 1959, quando Ricardo Achcar ganhou uma prova em 1968. Emerson e Luis Pereira Bueno tiveram bastante sucesso na categoria em 1969, com Emerson dando continuidade à sua carreira internacional, e Luisinho voltando ao Brasil, para consolidar a sua posição de principal piloto do automobilismo doméstico até 1975.

Os promotores de corrida no Brasil pressentiam que era o momento de internacionalizar o automobilismo brasileiro, e assim promoveu-se o primeiro torneio intenacional de F-Ford, com patrocínio de uma empresa aérea britânica (a BUA), no início de 1970. Com corridas no recém aberto Interlagos, e também em Curitiba, Rio de Janeiro, e até no longínquo, e infrequentemente usado, autódromo de Fortaleza, o torneio foi um sucesso, sendo ganho por Emerson Fittipaldi. Diversos outros pilotos brasileiros participaram do torneio, entre os quais, Jose Carlos Pace, Wilson Fittipaldi Jr, Luis Pereira Bueno, Fritz Jordan e Francisco Lameirão.


Luis Antonio Greco, o chefe da saudosa equipe Willys, agora chefiava o que restara da equipe, rebatizada Bino (homenagem justa a Christian Bino Heins). Desde que tentara lançar um F-3 brasileiro, em 1965, Grecco nutria a esperança de formar uma categoria brasileira de monopostos que capacitasse os nossos pilotos para a transição ao automobilismo mais sério na Europa. A primeira tentativa, com a Formula Junior em 1962, foi um fracasso (leia mais sobre o assunto aqui) A tentativa de Grecco também fracassou, e a atividade do F-3 brasileiro, o Gávea, se resumiu a uma participação nos 500 km de Interlagos de 1965 (foi segundo) e na temporada argentina de F-3 de 1966 (com pouco sucesso, contra concorrência internacional). Depois, foi aposentado. A terceira tentativa, a F-Ve, também fracassou, entre outras razões devido ao fechamento do autódromo de Interlagos, para reformas, em 1968. Foram realizados dois campeonatos, e sem muito apoio da VW, a categoria foi extinta, depois de um torneio carioca em 1969. (Houve uma tentativa de reaviva-la em, 1970, com uma acanhada prova em Interlagos, com a participação de poucos pilotos).


Como a Ford havia “herdado” o projeto do Carro M da Willys, rebatizando-o Corcel, agora tinha um carro de baixa cilindrada, com mecânica também herdada da Renault. Grecco, que tinha boas relações com a Ford, sugeriu a montagem de uma categoria de monopostos, com mecânica Corcel, que correria a partir de 1971. Para a Ford, seria interessante, já que o Corcel (e nenhum outro produto seu, na época- o Galaxie e Aero ex-Willys) não parecia ter futuro auspicioso como carro de corrida (e efetivamente, não teve, apesar do monomocar Torneio Corcel, que durou dois anos). Seria uma maneira de a Ford capitalizar o sucesso da temporada internacional e manter uma imagem esportiva. Assim foi criada, em síntese, a F-Ford Brasil.


Baseando-se nos modelos de F-Ford trazidos para a temporada, Grecco montou 25 Binos, que
foram vendidos a pilotos de São Paulo, Brasília, e principalmente, Rio Grande do Sul. Merlyn, Lotus e Titans que ficaram da temporada, também foi usados nessa fase inicial da F-Ford. E realizaram-se 4 etapas no primeiro ano da F-Ford, algumas como provas de apoio da Temporada de F-2. A Equipe Hollywood, que já fazia sucesso com as suas Porsche no Brasil, teve também sucesso imediato na F-Ford. Chico Lameirão, que tivera experiência dirigindo F-Ford na Europa, em 1970, foi piloto da Hollywood e levou três corridas, inclusive a inaugural, e outro paulista, Pedro Victor de Lamare, uma. Foram eles, respectivamente, campeão e vice da primeira temporada de F-Ford.

Os gaúchos, apesar da superioridade numérica, ocuparam posições intermediárias, mas já se destacavam, entre eles, Clovis de Moraes, ás do Kart sulista, Claudio Mueller e Pedro Carneiro Pereira.


Na temporada de 1972, o campeão Lameirão mudou de equipe, passando para a Bino-Motorádio. Seu lugar na Hollywood foi ocupado pelo brasiliense Alex Dias Ribeiro, que tinha como companheiro de equipe Jose Lotfi. Outro carro patrocinado por cigarros era o carro da Equipe Shelton, com Clovis de Moraes. Foram estes os protagonistas do campeonato, embora Clovis de Moraes tenha tido certa vantagem sobre Alex. Só estes dois ganharam corridas.

Pouca coisa mudou para 1973, exceto que agora a Motoradio tinha um segundo carro, para Angi Munhoz, e a Hollywood havia trocado de segundo piloto, alinhando Julio Caio de Azevedo Marques. A temporada foi bem mais competitiva do que as outras duas, e três pilotos ganharam corridas: Alex (4), Clovis (2) e Lameirão (1). O carro de Lameirão tinha requintes aerodinâmicos, inclusive radiadores laterais (os outros tinham na frente), e bico em cunha. O carro de Alex também tinha desenho próprio. Além de Julio Caio, que provou ser rápido, outro piloto despontou como promessa: Francisco Feoli, gaúcho. E outros pilotos de renome participaram da temporada, entre os quais Mauricio Chulam, Arthur Bragantini e Jose Pedro Chateaubriand. A Heve também estreou como construtor.


1974 não foi um bom ano para a F-Ford, e foi quase covardia. Alex fora correr na Europa, e a Hollywood acabou contratando Clovis de Moraes. Dois outros gaúchos foram contratados, Claudio Mueller e Enio Sandler. Lameirão agora corria com um Polar. Fora a subida de produção de Amedeo Ferri, que mais tarde se tornaria ás da categoria, a temporada foi fraca. Clovis de Moraes ganhou as cinco etapas, e, sem muita explicação, a CBA decidiu dar pontos duplos para a última etapa. Com isso, Chico Lameirão conseguiu atingir o terceiro lugar (pelo terceiro ano seguido) no certame, graças ao segundo lugar na prova. Só isso impediu a Hollywood de fazer 1-2-3 no campeonato.

Houve uma certa organização nos campeonatos brasileiros, em 1975, em grande parte devido ao apoio da Caixa Econômica Federal, que decidira patrocinar a Divisão 4 e 3. O calendário da Divisão 3 foi “casado” com o da Formula Ford, assim facilitando o calendário, com menos datas, mas maior possibilidade de sucesso de público. Clovis de Moraes continuou na Hollywood, e ganhou pela terceira vez o campeonato. Dessa vez teve de suar com o conterrâneo Francisco Feoli, que subira bastante de produção com o seu carro da Equipe Telefunken. No final Clovis ganhou três, Feoli duas, e Raul Natividade, a primeira corrida do ano.
O F-Ford de Chico Lameirao
Foto de Rogerio da Luz

Considero essa temporada o final da primeira fase da F-Ford, por diversas razões. Até meados de 74, a F-Ford ocupava posição de destaque como principal categoria de monopostos no Brasil (até 73, a única). Com a chegada da Super-vê, em 74, e consolidação da mesma, em 75, a F-Ford ficou completamente obscurecida. Para piorar, tanto o rei da F-Ford, Clovis de Moraes, quanto a equipe rainha da categoria a Hollywood, fizeram as suas últimas temporadas em 75. A partir de 76, a F-Ford passou a ter uma posição coadjuvante no automobilismo nacional tendo, entretanto, o mérito de ter revelado diversos pilotos que fariam sucesso no exterior, principalmente, Mauricio Gugelmin, Gil de Ferran e Cristiano da Matta. A categoria sobreviveria até 1996.

Fase Inicial da F-Ford 1971-1975
Vencedores de Corridas
1- Clovis de Moraes - 14
2 – Alex Dias Ribeiro -6
3 – Francisco Lameirão – 4
4 – Francisco Feoli - 2
5 – Raul Natividade, Pedro Victor de Lamare - 1